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Matrix Push C2: o "lobo disfarçado de notificação" que engana os utilizadores sem que estes descarreguem nada

22 de nov. de 2025

Há alguns anos, as notificações do navegador eram quase um mimo: alertas de notícias, mensagens das redes sociais, promoções relâmpago. Hoje em dia, são tão comuns que quase já não lhes prestamos atenção. E é precisamente aí que começa o problema.

Recentemente, investigadores da BlackFog descobriram algo perturbador: um grupo de cibercriminosos transformou estes pequenos alertas aparentemente inofensivos num canal de ataque totalmente novo. Chamam-lhe Matrix Push C2 e está a causar dores de cabeça aos profissionais de cibersegurança.

A porta de entrada mais simples do mundo

Imagine abrir um site qualquer. Um blogue. Um fórum obscuro. Uma página que encontraste num link aleatório. E aparece aquela pergunta que já viu mil vezes:

“Este website pretende enviar notificações. Permitir ou bloquear?”

Geralmente, clicamos em “Permitir” sem pensar duas vezes. Afinal, o que poderá acontecer? É só uma notificação…

No entanto, neste cenário, esse clique aparentemente inofensivo equivale a deixar um estranho com ar simpático entrar em casa só para “falar rapidamente”.

Porque assim que damos permissão, o navegador passa a aceitar notificações de quem quer que esteja do outro lado, e é aí que o Matrix Push C2 entra em ação.

O ataque que não precisa de malware

Ao contrário dos ataques tradicionais, neste caso os criminosos não precisam de o convencer a instalar nada. Não há ficheiros. Não há downloads. Zero.

Depois de obterem a sua permissão, o navegador torna-se, sem exageros, num canal direto entre si e o atacante.

Começam a aparecer notificações:

  • “⚠ Atualização urgente do Chrome!”
  • “🚨 Atividade suspeita na sua conta!”
  • “🔐 A sua sessão expirou. Clique para confirmar.”

Parecem legítimas, familiares e seguras.

No entanto, basta um clique para ser redirecionado para páginas de phishing tão bem concebidas que até os olhos mais treinados hesitam: páginas falsas do PayPal, da Netflix e até da MetaMask. Clicou? Eles têm o que querem.

E tudo isto sem que seja descarregado qualquer malware. Só notificações.

O lado “profissional” do crime

O mais assustador? O Matrix Push C2 não é um simples truque. Trata-se de um serviço completo, vendido como “malware-as-a-service” em canais da dark web. É como uma plataforma de marketing, contudo para criminosos.

Os operadores têm acesso a um painel moderno onde podem:

  • ver vítimas ativas em tempo real;
  • saber que notificações foram abertas;
  • recolher detalhes sobre o dispositivo e as extensões instaladas;
  • criar campanhas com modelos de marcas conhecidas;
  • encurtar URLs para contornar os filtros de segurança;
  • medir taxas de cliques como verdadeiros profissionais de analytics.

Trata-se de publicidade dirigida… mas para roubar credenciais, carteiras de criptomoedas ou dados pessoais.

A técnica é simples. O impacto é enorme.

Por que é que isto funciona tão bem?

Porque as notificações estão, literalmente, fora do radar da maioria dos sistemas de defesa.

  • Não passam pelo e-mail.
  • Não são efetuadas através de downloads.
  • Não são detetadas por antivírus comuns.
  • Não levantam suspeitas: todos os navegadores as suportam em todos os sistemas operativos.

Trata-se de um vetor de ataque universal.

E o que começa com um clique numa notificação pode terminar com furto de identidade, perda de acesso a contas críticas… ou algo ainda mais grave.

Como se defender: o essencial

A boa notícia? Existem medidas muito simples que reduzem drasticamente o risco.

Para utilizadores comuns:

  • Não aceite notificações de sites que não conhece;
  • Se um alerta solicitar “ação imediata”, desconfie;
  • Vá ao site oficial escrevendo o endereço manualmente, em vez de clicar no pop-up;
  • Limpe regularmente as permissões do navegador;
  • Mantenha o navegador atualizado.

Para organizações:

A nova face do phishing

O Matrix Push C2 mostra-nos algo claro: os piratas informáticos já não precisam de ficheiros, janelas pop-up exageradas ou anexos duvidosos. Basta-lhes algo que todos nós já normalizámos: um pequeno alerta no canto do ecrã.

E é por isso que este ataque é tão perigoso: parece banal, mas não podia ser mais diferente.

A cibersegurança, atualmente, depende tanto da tecnologia como dos hábitos. A linha que separa uma “notificação legítima” de uma “armadilha” está cada vez mais ténue.

Manter os olhos abertos e o dedo longe do botão “Permitir” nunca foi tão importante.

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